terça-feira, 9 de julho de 2013

Vivência no Labirinto - parte 1

A Ph.D em Psicologia, Lauren Artress é uma das pessoas que mais estudaram o Labirinto. No livro “Um guia para caminhar no Labirinto para curar e transformar” ela conta que, quando começou a introduzir a atividade no Labirinto, uma das primeiras perguntas era: “O que você faz no labirinto?” Com o progredir dessa atividade essa questão tornou-se um guia para ensinar a prática do Labirinto para curar e transformar vidas.
Devemos chamar a atenção aqui para o uso do termo “curar”, que assume sentido bastante amplo, não necessariamente fazendo referência à solução física completa de uma doença também física. Nestes casos, curar, por exemplo, pode significar também passar a encarar determinada moléstia, sofrimento, ou dor de uma nova maneira, de modo que se possa “gerenciar” esse processo em vez de apenas se estar passivamente submisso ao sofrimento.
Voltemos ao texto da Dra. Artress. Ela diz então que alguns anos antes de iniciar seu trabalho com o Labirinto, que foi em 1992, ela conheceu o trabalho de Linda Sussman intitulado “A fala do Graal: uma Jornada para uma fala que cura e transforma”. Através desse trabalho com a história medieval de Percival (ou Parsifal), ela começou a entender o Labirinto como uma forma do Graal. Sussman nomeia três características do Graal: primeiro, ele encontra você onde você está; segundo, ele dá a você o que você precisa; terceiro, ele nutre uma teia invisível de relacionamentos que conectam o destino individual ao serviço de outros e ao mundo. Esses três elementos são o que o Labirinto pode nos trazer.
Ainda conforme a Dra. Artress são muitas as razões para andar no Labirinto: consolo, força, clareza, celebração, insight, aquietar a mente, resolver um problema, etc. Mas o resultado mais fascinante, no qual ela baseia seu trabalho, é a habilidade do Labirinto Medieval de instigar o potencial latente de seus seguidores de encontrar um caminho para sua expressão no mundo. O Labirinto é um Graal que conecta o destino individual ao serviço do mundo.

Um outro aspecto intrigante do Graal, continua Artress, é que ninguém é dono dele. Isto também é verdade para os grandes labirintos arquetípicos. Esses Labirintos são diagramas, mapas, roteiros para a transformação. Eles liberam um processo psíquico e espiritual de descoberta que organicamente se desdobra em nossas vidas. A autora refere ainda que se sente ainda um pouco desconfortável de falar publicamente do Labirinto dessa forma, comparando ao Graal, mas os benefícios que ela vê em pessoas que abraçam a prática de caminhar no Labirinto faz superar a segurança do silêncio.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Labirinto e memória corporal

Quando alguém inicia a caminhada no Labirinto dispõe seu corpo à geometria de contornos imprevisíveis que mobilizam a atenção à espacialidade desse peculiar desenho. Essa é uma atenção que não se faz apenas com a mente, mas necessariamente inclui os movimentos, os deslocamentos e também as contrações musculares que detêm passos, além de estimulá-los. O olhar se depara com linhas e espaços próximos e distantes, buscando entender o detalhe e o conjunto do Labirinto. A escuta apreende a música que pontua o ritmo da caminhada. Esses diversos elementos convidam a pessoa a refletir, a sentir, a meditar em um sentido amplo e espontâneo do termo. 
Todo esse processo em conjunto pode ativar a memória do corpo em caminhos passados, em espaços vividos. A memória corporal, consciente ou inconsciente, na ida ao centro, no centro, na volta ao início, pode ser resgatada, reconstruída e reconstruir o corpo em relação ao tempo e ao espaço da vida, de modo a configurar o sofrimento, a dor, a moléstia em um outro patamar, em um novo nível de realidade, levando a um novo entendimento, gerenciamento e aceitação do que até então pode ter parecido uma doença insuportável e insuperável. A "memória recomposta" do corpo pode recuperar potencialidades esquecidas, forças renegadas, energias que podem resgatar aqueles aspectos e partes do corpo que eram sadias, mas que tornaram-se esquecidas quando superadas pelo "corpo do adoecimento". 
Assim, a Meditação Caminhando no Labirinto pode ajudar a recuperar o "corpo esquecido". Mesmo quem não estiver doente pode reconfigurar sua memória corporal em sentido mais positivo.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Medo do Labirinto


Devido ao labirinto carregar sentidos de “caminho desconhecido”, “caminho tortuoso”, “lugar onde a gente se perde”, é comum que se tenha medo de labirintos.
Eventualmente até se diz que só se entra no labirinto se se souber como fazer para sair dele.
Essas impressões são certamente válidas pois é natural ao ser humano procurar proteger-se do que é desconhecido, já que essa coisa desconhecida pode ser ameaçadora à saúde, à integridade, ao bem estar, etc..
O labirinto também pode ser símbolo de algumas coisas desconhecidas, como, por exemplo, o próprio inconsciente do ser humano. Jung dizia que um dos símbolos do inconsciente é o mar, que é imenso, temido, perigoso, mas também atraente, e assim por diante.
As pessoas podem fazer uso de várias “ferramentas” para fazer uma jornada ao seu próprio inconsciente. Uma das formas de empreender essa jornada é por meio da Meditação Caminhando no Labirinto.
De um modo geral, mesmo que alguns inicialmente tenham um certo temor, as pessoas se surpreendem com a Meditação Caminhando no Labirinto. Aacabam descobrindo uma forma diferente, segura, “estimulante e relaxante” de fazer essa jornada, que sempre pode ser aprimorada.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Reduzir stress no labirinto

A ideia de um labirinto muitas vezes faz pensar em alguma coisa complicada, difícil de percorrer, ou que acaba deixando as pessoas perdidas. Assim, a ideia de labirinto pode gerar um certo medo de um caminho desconhecido, que possa levar a gente a ficar desnorteada. 
Nesse sentido, a Meditação Caminhando no Labirinto pode acabar surpreendendo a quem tenha receio de que aconteça alguma coisa parecida com o que foi acima referido. 
Embora a ideia de um labirinto possa gerar certo temor, o labirinto especificamente usado para a Meditação Caminhando acaba conduzindo, frequentemente, a uma sensação de paz, ou ainda a uma impressão de alguma descoberta que pode ser aprofundada e trabalhada. 
O caminho do labirinto passa a ser então uma nova abertura, um novo trajeto a ser percorrido na vida, um novo começo, com significados específicos para cada caminhante. 
Desse modo, em geral, acaba-se percebendo que o labirinto diminui o estresse que acompanha a correria cotidiana da vida contemporânea. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Meditação coletiva no Labirinto

Uma característica própria da Meditação Caminhando no Labirinto é a percepção, e até mesmo uma surpresa, de que ocorre "alguma coisa a mais" proveniente do fato de várias pessoas estarem caminhando ao mesmo tempo. 
Em um primeiro momento pensa-se que essa atividade é apenas e unicamente individual. Mas, principalmente quando há várias pessoas no labirinto concomitantemente, surge um "senso de coletividade", ou ainda uma percepção de "correlação" entre as diferentes pessoas, as diferentes energias, os diferentes corpos, de modo que emerge um resultado "coletivo" da caminhada, uma espécie de "meditação coletiva" não combinada com antecedência, improvisada, espontânea, não pensada, decorrente dessa presença coletiva dentro do desenho e dos limites do labirinto.
Assim, alguém que pensava buscar apenas energias de si mesmo dentro do labirinto, acaba descobrindo que recebe também energias e insight proveniente da energia coletiva ali presente. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Vídeo sobre Meditação Caminhando no Labirinto

Segue abaixo endereço eletrônico de vídeo sobre "Meditação Caminhando no Labirinto" que faz parte dos Projetos de Humanização do Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp.

O vídeo pode ser melhor visualizado por meio de Google Chrome ou Mozilla Firefox. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Respostas da Meditação no Labirinto

Muitas vezes, quando alguém procura uma atividade meditativa, leva consigo alguma pergunta que considera muito importante e espera que tenha alguma resposta ao fazer essa atividade.
Isso algumas vezes pode acontecer e outras vezes não.
Quando a pessoa tem alguma resposta que ocorre lá no seu interior, ao fazer a Meditação Caminhando no Labirinto, costuma fazer dessa resposta a coisa principal que tenha acontecido com essa caminhada.
Mas a falta de resposta também pode ser um sinal indicativo de alguma outra coisa. 
A falta dessa resposta, que se expressa como palavras em um determinado pensamento, pode se dever a que outra parte da pessoa está precisando de atenção.
A pessoa que preocupa-se demais, pensa demais com pensamentos fugidios, pode estar precisando dar mais atenção ao seu corpo, ou ainda à sua própria relação com o seu meio, com o trajeto que faz na vida, com as pessoas ao seu redor.
A caminhada no Labirinto, juntamente com outras pessoas, pode chamar a atenção para o entrosamento com os outros.
Eventualmente, quando alguém tem a oportunidade de ficar sentada do lado de fora do Labirinto, observando os outros caminharem, pode também vir a ter algum insight, alguma percepção que não tinha tido ao fazer a caminhada.
Por vezes, após isso, essa pessoa quer caminhar novamente, ao perceber que tornou-se mais aberta ao que a atividade pode lhe transmitir.
Todas essas e mais outras são possibilidades de respostas... São respostas.
As respostas não são só verbais, não são só pensamentos e palavras. As respostas também podem ser corporais, ou percepções que podem ser expressas em palavras que não necessariamente correspondem à pergunta inicial, mas que inesperadamente podem revelar outras perguntas que existiam e que o caminhante não se tinha dado conta.
Assim, as respostas podem ser perguntas... 
E as perguntas podem ser novas descobertas sobre si mesmo...