sábado, 26 de março de 2011

Labirinto - linguagens e origens

A linguagem verbal é fundamental para o ser humano em suas comunicações, e no entendimento do mundo e de si mesmo. A linguagem numérica é também muito importante embora menos aparente. Evidentemente pode-se pensar no papel da matemática em grandes eventos como, por exemplo, a viagem do homem à lua.
Mas para atingir tal complexidade, o trabalho dos seres humanos com números começou na pré-história, ao ter que lidar com coisas do dia a dia. Os dedos da mão podem ter servido como primeira ferramenta para a contagem de objetos semelhantes, ou ocorrências que se repetiam. Dois fatores importantes para o ser humano adquirir conhecimento são a capacidade de fazer comparações e a memória dessas mesmas comparações. O registro desse aprendizado passou pela verbalização e também pela contagem numérica. 
Assim, os números entraram na memória simbólica da humanidade ligados aos mais variados fatores da vida. 
No Período da Pré-História denominado Paleolítico os seres humanos viviam da caça e da coleta de produtos da natureza. Usavam as cavernas para vivenciar seus rituais e deixaram desenhos dos mesmos.
Supõe-se que os primeiros labirintos talvez tenham sido essas cavernas.
O Período Neolítico, iniciado há doze mil anos, corresponde ao estabelecimento dos humanos em local fixo, na medida em que aprenderam o cultivo de plantas e a criação de animais. Dessa forma, passou-se a contar os eventos da natureza em suas sucessões. Os pastores que guardavam seus rebanhos à noite perceberam correlações da disposição dos astros com os acontecimentos cotidianos. A necessidade de também estocar alimentos, de construir habitações, promoveu um aprimoramento do uso dos números.
A memória desses diversos fatores passou para a dimensão ritualística, na expectativa de proteção das forças da natureza. Nessa dimensão ritualística, palavras e números importantes para o entendimento entre seres humanos e entidades divinizadas passaram a ser considerados sagrados e foram usados em construções religiosas, bem como em desenhos e outras atividades dessa ordem.
Assim, os labirintos mais antigos já continham essa linguagem sagrada, uma geometria sagrada.

terça-feira, 22 de março de 2011

Linguagem do Labirinto - Parte 4

Há uma linguagem do Labirinto que se apresenta a qualquer pessoa que se aproxime do mesmo sem atentar para detalhes observáveis racionalmente, de modo que se deixe levar por uma percepção intuitiva.
Eventualmente também pode-se querer conhecer mais detalhes dessa imagem, quais símbolos que possam ser descritos, além de percebidos como referido anteriormente.
Assim, podemos notar, mais especificamente no Labirinto de Chartres, a presença de onze círculos concêntricos, que formam as idas e vindas do caminho a ser percorrido. Uma das hipóteses para entender essa disposição desses círculos é através do entendimento de como o indivíduo culto da Idade Média entendia o Universo.
Conforme Lauren Artless refere a respeito de estudo de Keith Critchlow, esse desenho pode indicar certa cosmologia medieval que provém do livro do autor romano Macróbio, onde fala a respeito do relato do orador Cícero sobre o sonho de outro romano chamado Cípio. Esse livro existia na antiga Escola de Chartres. Portanto, conforme esse relato, no centro do labirinto estaria a Terra. A seguir viriam os círculos correspondentes a Lua, depois Sol, depois Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno (são os astros e planetas dos antigos, exceto as estrelas). Os outros três círculos seriam: a Alma do Mundo; a Mente do Mundo; o Deus Supremo. Assim, fazer o caminho de ir e vir seria fazer o trajeto por esses diversos níveis. Alguém poderia argumentar que, sendo assim, se deveria iniciar a caminhada pelo Centro. Mas, o Labirinto não implica em um mecanismo matemático, além do que a caminhada ao centro também pode refletir uma espécie de "descida" ou um "aprofundamento". É como um pêndulo entre o imanente e o transcendente. Como no símbolo do Yin e do Yang, o dentro pode estar fora e o fora pode estar dentro.  

quarta-feira, 16 de março de 2011

Linguagem do Labirinto - Parte 3

Os labirintos, de modo geral, podem provocar certo impacto já logo de um olhar inicial, por sua forma intrincada, ao mesmo tempo harmônica e confusa, tal qual as imagens do artista plástico Escher, com figuras aparentemente impossíveis em um mundo tridimensional. Nos labirintos baseados naquele de Chartres, o trajeto, o caminho, o atalho de ida é o mesmo da volta. No entanto, para aquele que caminha existe a impressão de ter ido por um caminho e ter voltado por outro. Também pode haver a impressão de se ter entrado por uma passagem e de se ter saído por outra. Esse é um dos efeitos decorrentes do engenhoso desenho do labirinto.
Esse desenho é em parte baseado no que é chamado de "geometria sagrada". Essa geometria, se sagrada, remete à possibilidade de "transcender" seus próprios traçados e apontar para significados que estejam além da realidade imediatamente captada pelos sentidos. Trata-se de uma geometria que se insere dentro do contexto do "religar" das crenças e religiões, ou seja "reatar" o indivíduo com o Todo, ou com a Divindade.
Não é raro que diante desta afirmação, pessoas agnósticas ou descrentes se coloquem a certa distância de tal conceituação e passem a renegar o labirinto e suas possibilidades. Ocorre que o labirinto, embora construido dentro dessa geometria sagrada, pode ser usado por qualquer pessoa de qualquer religião, ou mesmo sem religião. Esse "transcender" da imagem labiríntica pode servir também ao indivíduo descrente, na medida em que aponte para um "religar" da pessoa com sua comunidade, com sua família, com a natureza, etc., sem necessariamente implicar em uma crença mais estruturada sobre alicerces de espiritualidade e religiosidade.
Assim, a linguagem do labirinto pode ser acessível a qualquer pessoa, sempre situando-se dentro da "leitura" que essa pessoa faça do labirinto. Desse modo, pode-se dizer que o labirinto fala qualquer língua, ou todas as línguas. O labirinto também é um símbolo da Torre de Babel, de onde surgiram todas as línguas. Ocorre que nessa Torre as línguas surgiram a partir de uma separação egoista dos seres humanos em busca apenas de atingir o topo do mundo, esquecendo de seu semelhante. Nessa linha, o Labirinto é uma espécie de "Torre de Babel ao contrário", ou seja algo que conduza a um entendimento e a um encontro dos seres humanos. Essa é uma linguagem da geometria sagrada que pode servir a qualquer pessoa, doentes e não doentes, crentes e não crentes.

terça-feira, 15 de março de 2011

Linguagem do Labirinto - Parte 2

O que o labirinto comunica a cada pessoa depende não só da estrutura em si do labirinto, mas também das condições de cada um que se aproxima ou caminha por ele. Qualquer pessoa pode fazer uso do labirinto, ele não é apenas para quem esteja doente.
Seja alguém doente ou não, o quanto "se dispuser" a essa atividade, o quanto a pessoa aproximar-se desarmada do labirinto, mais ela vai descobrir que essa atividade pode ser uma ferramenta para descobertas dentro de si mesmo.
A maneira de como apreender o que ocorre no labirinto é semelhante a como podemos "apreender" uma música. Resumidamente, podemos dizer que há três maneiras de "apreender" essa música. Uma forma pode ser querer entender uma música através da linguagem matemática ou da linguagem física. Podemos medir e contar as notas, pausas, intervalos, compassos, ou ainda caracterizar os fenômenos físicos produtores dos sons musicais. Em relação ao labirinto isso seria semelhante a considerar-se suas diferentes medidas, as distâncias, as correlações geométricas.
Uma segunda maneira de entender uma música pode ser através do entendimento de sua construção teórica dentro da teoria musical. Analisar-se seu estilo, suas nuances, harmonia, certas características inerentes ao autor, ao intérprete, etc. No labirinto isso seria como fazer o seu trajeto com uma atenção mais do tipo racional, notando-se a si mesmo no deslocamento, em relação ao percurso, de uma maneira analítica.
A terceira maneira de "apreender" uma música pode ser simplesmente deixar-se levar por ela através de uma percepção menos analítica e mais "desligada", ou "intuitiva", ou emocional. Assim também no labirinto pode-se deixar de lado uma postura excessivamente analítica e deixar-se conduzir pelo aspecto simbólico de seu desenho, pelo percurso, pela música que acompanha a caminhada, pelas nuances inesperadas de cada variação, pelo ir e vir.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Linguagem do Labirinto - Parte 1

Quando ouvimos falar em linguagem, na maioria das vezes pensamos a respeito de "palavras", ou seja, pensamos sobre a linguagem verbal. Na verdade essa é apenas uma das formas de linguagem. Através de qualquer dos cinco sentidos também é possível ocorrer uma comunicação por meio da linguagem. Assim, existe a linguagem visual (sem palavras), linguagem auditiva por sons que não sejam verbais, linguagem táctil, linguagem olfativa e linguagem gustativa. Evidentemente as linguagens olfativa e gustativa à primeira vista podem parecer mais estranhas, mas cheiros e sabores também comunicam, de tal modo que até fazem as pessoas comprarem produtos divulgados por esses meios. Além disso determinadas formas de produzir sinais também formam linguagens que são captadas pelos sentidos, como, por exemplo a linguagem corporal.
Ao falarmos em linguagem do labirinto, estamos supondo que o próprio labirinto possa veicular sinais e mensagens. Uma das linguagens do labirinto é a linguagem das formas. Desde o início da humanidade, as formas da natureza aos poucos passaram a constituir sinais que aos poucos configuraram verdadeiros símbolos arquetípicos. Assim, as linhas curvas associam-se mais ao feminino, enquanto as linhas retas associam-se mais ao masculino. O círculo (ou a circunferência, se preferir-se apenas o contorno) pelo seu formato lembra o todo, o cosmo, o um, o único (quando se trata de um labirinto circular). Por outro lado, o círculo único e maior também pode lembrar o sol e os períodos de tempo mais ligados às variações solares, como as estações. Fazendo certo contraponto a isso, o Labirinto de Chartres apresenta diversos semi-círculos, chamados "lunações", dispostos em torno da circunferência, que correspondem a uma simbologia lunar, tanto por sua forma, quanto por sua quantidade, já que sua sequência indica um calendário lunar, ou seja, baseado nas fases da lua, cada uma com duração aproximada de uma semana.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Formas de Meditar - Parte 4

Atenção - Concentração - Meditação... Distração

A "distração" às vezes pode significar o contrário da "concentração", ou seja, implica em "desfocar" em vez de "focar" ou "enfocar". Outras vezes "distração" é uma impressão que temos de uma pessoa que nos pareça "desatenta", que esteja "sem prestar atenção" a nós ou às coisas ao seu redor. Essa pessoa, por vezes, pode estar, na verdade, "concentrada" em seu interior e, por isso, pouco atenta ao seu exterior. Nesse caso, sua atenção está focada em pensamentos, sentimentos, etc. Essa forma de "concentração" na verdade pode ser um tipo de "preocupação". Como se costuma dizer, a palavra "preocupação" lembra uma espécie de "ocupação antes do momento apropriado". Assim que uma pessoa preocupada pode estar "concentrando" suas energias, sua capacidade de atenção, em aspectos que são desgastantes, em vez de serem "energizantes" ou "desestressantes", como ocorre em caso de "concentração" que seja um meio caminho entre "atenção" e "meditação".
No Ocidente valoriza-se mais a extrospecção do que a introspecção. Assim, uma pessoa extrospectiva é mais frequentemente considerada uma pessoa "simpática" do que uma pessoa introspectiva, o que acaba dando certa carga negativa à introspecção. No Ocidente a extrospecção é vista como mais produtiva do que a introspecção.
No labirinto todas essas variantes podem encontrar certo equilíbrio. Uma pessoa pode, por exemplo, dizer que andar no labirinto, para ela, seja uma distração. Isso é perfeitamente aceitável. A atividade do labirinto pode ter também um sentido lúdico. Pode ser o momento dessa pessoa "desestressar" e assim ela chama isso de distração.
Já para outra pessoa por ser a oportunidade de desligar-se de sua "preocupação", ou seja, dessa concentração de energia com efeito desgastante e dispersivo. Esse desligamento não precisa ser necessariamente forçado de maneira racional. Pode ocorrer de modo natural, na medida em que a pessoa se envolva com a caminhada que lhe obriga a focar no caminho. Assim, pode ser uma forma de "descontração", de "relaxamento", ou seja pode ser próxima de um dos efeitos físicos da meditação.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Formas de Meditar - parte 3

Atenção - Concentração - Meditação ... e Distração
Nós confundimos frequentemente estas três primeiras palavras. Já a quarta palavra...bem, também nos engana muitas vezes.
A "atenção" diz respeito a uma capacidade do ser humano que é prioritária para suas "funções cognitivas". A palavra cognitiva tem sua raiz em cognocere, ou seja, conhecer. Então as funções cognitivas dizem respeito à capacidade de conhecer e de aprender do ser humano. São funções cognitivas a memória, a linguagem, a capacidade de cálculo, a orientação no tempo e no espaço, etc. Para dar início e andamento a essas funções, há necessidade de uma pessoa ter um certo grau de atenção que permita estar "focada" na sucessão de atos e procedimentos que dizem respeito a memória, linguagem, etc. Clinicamente, um determinado grau de deficiência de atenção pode ser indício de algum problema de ordem médica. Porém essa atenção pode ser também perturbada por cansaço, estresse, nervosismo, preocupações, que muitas vezes não implicam necessariamente na presença de alguma doença. Existe também o emprego da palavra atenção quando se diz: "Falei com ele e ele nem me deu atenção!" Essa atenção pode dizer respeito à capacidade cognitiva, mas na maioria das vezes, ao dizer essa frase, a pessoa dá a entender que foi ignorada por alguém de quem ela queria "alguma atenção". Nesse caso, a palavra atenção aproxima-se da palavra "respeito".
"Concentração" já diz respeito a uma atenção mais refinada, ou até, redundantemente, mais "concentrada", lembrando o uso da palavra "concentração" em química, quando nos referimos a quanto de soluto está presente em determinado solvente, ou seja, pode tratar-se de uma solução mais "concentrada" ou menos "concentrada". "Concentração" também é usada quando se refere aos dias ou momentos que antecedem uma partida de futebol. Diz-se que os jogadores estão em "concentração". Este uso da palavra é parecido com a concentração no sentido de "atenção intensa", "atenção densa", quando os atletas precisam estar "focados" no desempenho que precisam atingir.
No que diz respeito a "atenção" e "meditação", talvez possamos colocar a "concentração" em situação intermediária. A "concentração" passa a ser então uma espécie de exercício da atenção. O estudante que fica muito concentrado em seu estudo, tem momentos em que tudo, ou quase tudo que está a seu redor fica como que apagado. Por isso que se diz: "focado". É como ter um foco de luz "concentrado" apenas em um local determinado. E no estudo muitas vezes é assim mesmo, ao pé da letra, quando o estudante coloca aquele foco de luz apenas sobre o seu livro e todo o resto fica na penúmbra. Parecidos com esse exercício de concentração são os exercícios de concentração em tradições orientais, visando a meditação. O indivíduo deve concentrar-se em um ponto, no centro de uma circunferência, e desligar-se do entorno, ou seja da própria circunferência, ou mandala.
Já a meditação diria respeito a um passo mais além...Mas, aqui estamos procurando falar em meditação caminhando no labirinto e lembrando formas ocidentais de meditação. O desenho do labirinto e o deslocamento do corpo dentro da imagem do labirinto podem ser facilitadores de um estado interior que pode situar-se entre a atenção e a meditação, passando pela concentração. Cada pessoa que percorre esse trajeto pode estar entre essas diferentes situações, dependendo de suas próprias condições no momento em que faz a caminhada. A atividade do labirinto tem o acréscimo de liberar o imaginário de cada um, de modo que podem aflorar imagens, situações que depois a pessoa pode considerar como o achado de uma resposta, ou solução de um problema, por exemplo, entre outras possibilidades. Já a meditação no centro do labirinto pode aproximar-se mais de uma meditação oriental se a pessoa já tiver tido essa prática, já que essa etapa dá espaço a esse tipo de exercício. A tradição ocidental em meditação também a aproxima da oração, o que também pode ser uma forma de atividade meditativa a ser realizada no labirinto, se assim quiser o caminhante.
A "distração" fica para amanhã, antes que fiquemos distraídos, perdendo nossa atenção ao texto.

quarta-feira, 9 de março de 2011

formas de meditar - parte 2

Embora se diga que não há uma forma única exata de vivenciar a atividade do labirinto, há indicações e sugestões que provêm da experiência, da lógica do formato geométrico em questão, além da tradição meditativa ocidental. Assim, as três etapas mais simples que podem configurar essa atividade são: a ida ao centro; estar no centro; voltar do centro à saída.
Alguém poderia dizer que, se o objetivo é chegar ao centro para aí relaxar, refletir, meditar, não haveria necessidade de fazer-se as caminhadas de ida e de volta.
Ocorre que o objetivo não apenas estar no centro, mas passar pela trajetória tortuosa desenhada no labirinto.
É importante que se diga que esse padrão de labirinto tem apenas um caminho a ser percorrido, sem haver armadilhas, fundos falsos, ou caminhos alternativos, como é o caso de labirintos encontrados em jornais, revistas ou jogos distrativos. Em português usa-se a mesma palavra - labirinto - para os dois tipos de desenho. Em inglês usa-se a palavra maze para o labirinto com várias entradas e saídas e a palavra labyrinth para o desenho correspondente ao nosso estudo.
Assim, a estada no centro do labirinto é algo que se aproxima da ideia mais habitual que se tem da meditação. Já o exercício de caminhar implica em deixar-se conduzir pela incerteza do sentido dos próximos passos. Mesmo sendo apenas um só caminho, os desvios, contornos, curvas e retas requisitam um tipo de atenção que tende a "desconcentrar" a pessoa de suas preocupações cotidianas e passe a focar no desenho de seus próprios passos. Esse é um dos mecanismos atuantes na meditação caminhando.

terça-feira, 8 de março de 2011

formas de meditar

Conforme a Dra. Lauren Artress não há uma única forma correta de utilizar o labirinto. Assim também não há uma única forma apenas de meditar. Assim, "meditação" para variadas tradições orientais pode ter diversos sentidos, bem como também para tradições ocidentais. De modo geral, esse termo se refere a alguma forma de introspecção, ou recolhimento interior, sem necessariamente implicar em algum tipo de exercício específico.
Isso pode ser observado, inclusive em obras artísticas, como na música (interlúdio) "Meditação", que faz parte da ópera Thais (1894) do compositor francês Jules Massenet (1842-1912), ou ainda a música "Meditação" (anos 1950) dos compositores brasileiros Tom Jobim (1927-1994) e Newton Mendonça (1927-1960).
Portanto, como não há um uso único da palavra "meditação", é melhor, quando necessário, ou mesmo por questão de clareza, adjetivar essa palavra, de modo que fique claro a respeito de qual "meditação" que se está falando.
No caso do labirinto, usa-se a expressão "meditação caminhando" (walking meditation), que, embora pareça paradoxal para algumas pessoas, implica em uma noção mais ampla de "recolhimento interior", admitindo a possibilidade de isso ocorrer concomitantemente a uma movimentação do corpo. Como um tipo de conceituação similar a essa, pode-se citar a "resposta de relaxamento" (relaxation response) relatada pelo médico americano Herbert Benson, em situações dos mais variados exercícios físicos. 

segunda-feira, 7 de março de 2011

O Labirinto como Arquétipo

A palavra "arquétipo" vem do grego arché (antigo) e typo (forma). Quem supostamente utilizou esse termo foi o filósofo grego Platão (séculos V e IV a.C.) para referir-se a "modelos originais" das coisas do mundo em geral, modelos esses existentes em um outro plano denominado por ele o "Mundo das Ideias" (topos noetos). Esse modelos seriam perfeitos nesse Mundo das Ideias, enquanto suas cópias neste mundo seriam imperfeitas. A palavra arquétipo continuou a ser usada nesse sentido por séculos, por seguidores de Platão.
O psiquiatra alemão Karl Gustav Jung (1875-1961) retomou o uso desse termo em outro sentido. Para ele arquétipo refere-se a imagens, tipos, formas, conteúdos universais presentes na psiqué humana desde os tempos mais remotos em instância que ele designa como "inconsciente coletivo" (Dicionário Junguiano - Editora Vozes -Ed. Paulus - 1998 - 2002).
A Dra. Lauren Artress refere-se ao Labirinto como uma figura arquetípica para o ser humano, representativa de caminhos e jornadas de diversos significados simbólicos na vida. Conforme escreve em seu livro "Walking a Sacred Path", ela lembra que o círculo do labirinto é um símbolo universal de unidade e totalidade, de modo que desperta nas pessoas um sentido de relacionamento, de vínculo com as outras pessoas, com o Todo, estimulando intuitivamente memórias do nosso propósito de viver.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O labirinto do cotidiano

O labirinto também é um símbolo do caminho da vida.
No dia a dia as pessoas frequentemente sentem necessidade de andar um pouco, aleatoriamente, distraidamente, para espairecer, desligar dos problemas, ou para refletir sobre algum problema de modo diferente, para tentar encontrar a solução.
Ao se fazer isso, acaba acontecendo um tipo de "meditação caminhando".
Pode até haver um "labirinto invisível", embora quem caminha nem se dê conta disso.
Essa é uma das maneiras de entender o labirinto como uma atividade anti-estresse.
Na vida também há momentos que parecem tortuosos, deixando dúvidas sobre a possibilidade de chegar-se a algum lugar. A prática da meditação caminhando no labirinto pode ajudar nesse sentido, na medida em que simula uma situação semelhante, mas chegando a algum lugar, indo e voltando a um ponto de partida.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Labirinto - mandala ocidental

Mandalas são figuras utilizadas mais frequentemente no oriente, principalmente em certas tradições budistas, como uma espécie de ferramenta para a meditação. De modo geral são figuras circulares, com desenhos, por vezes complexos, que costumam se dispor em torno do centro do círculo.
O desenho do labirinto, mais especificamente do labirinto de Chartres e dos que procuram ter uma similaridade com o mesmo, pode ser considerado também um tipo de mandala.
No entanto, sua utilização para a meditação tem características próprias da cultura ocidental.
Enquanto a mandala oriental é usada para "ser olhada", ou mesmo para ser construida com areia colorida e depois destruida, o labirinto é uma mandala, sobre a qual nós caminhamos. De certa forma, podemos dizer que "entramos dentro do labirinto" ao caminharmos sobre ele.
As pessoas do ocidente têm certa dificuldade para ficarem imóveis para meditar. Para os ocidentais, poder caminhar e meditar é mais fácil, já que são mais habituadas ao movimento do que à postura oriental para meditar (não devemos confundir isto com o sedentarismo ocidental).
A "meditação caminhando" no labirinto pode ser considerada uma forma ocidental de meditar, sem necessariamente querer dizer que seja a única forma de meditar caminhando (há formas orientais de meditação caminhando que não vêm ao caso aqui neste momento).
A atividade do labirinto tem a peculiaridade de utilizar o corpo em uma determinada situação ao dispô-lo em relação à geometria do desenho labiríntico. Isso permite que o corpo "se sinta dentro" de um espaço diferente do espaço habitual, e, assim, permite nova percepção sobre si mesmo.
Evidentemente que, eventualmente, uma postura por demais crítica ou racional (ou seja, algo também "muito ocidental") impede de usufruir-se dessa ou de qualquer outra forma de meditação.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Meditação Caminhando no Labirinto - 2

Tivemos a oportunidade de conhecer o Labirinto da Grace Cathedral em San Francisco em 1997 e o Labirinto da Catedral de Chartres em 2001, sendo que, este último, sob orientação da Dra. Lauren Artress e seus auxiliares em evento organizado pela Veriditas, organização criada para trabalhar especificamente com o Labirinto.
O Hospital Geral de Pirajussara, em Taboão da Serra (SP) interessou-se pelo Projeto que propusemos de utilizar o Labirinto com a finalidade de promover Humanização junto aos colaboradores e membros dessa instituição, bem como a acompanhantes de pacientes e pacientes.
Assim, a partir de novembro de 2001 esse hospital tornou-se o primeiro hospital do Brasil a contar com a Meditação Caminhando no Labirinto.
Gradativamente também passamos a desenvolver essa atividade em outros locais, já que contamos com labirintos móveis construidos com tecido do tipo lonita (canvas em inglês).
A partir de novembro de 2010 iniciamos esse trabalho com regularidade no Hospital São Paulo-Unifesp, após ter sido feito periodicamente nos anos anteriores nessa instituição.
Já realizamos palestras, workshops e demonstrações da Meditação Caminhando no Labirinto, inclusive fazendo parte regularmente dos cursos feitos pelo Serviço Social do Hospital São Paulo há alguns anos.
Através deste blog pretendemos divulgar atividades e informações a respeito da Meditação Caminhando no Labirinto.

terça-feira, 1 de março de 2011

Meditação caminhando no Labirinto

A meditação caminhando no Labirinto é uma jornada simbólica ao interior de si mesmo.
Labirintos e imagens de labirinto estão presentes em diversas tradições e culturas com significados em torno de busca espiritual, processo de amadurecimento, caminho para a divindade, e outros similares.
Talvez os primeiros labirintos tenham sido as cavernas pré-históricas de uso ritualístico.
Entre o mítico e o histórico podem ser citados o labirinto de Creta, que alguns consideram como correspondente ao Palácio de Cnossos, com suas inúmeras salas, e ainda o suposto Labirinto do Egito que teria sido visitado por Heródoto.
Desde os primeiros séculos do Cristianismo imagens de labirinto são encontradas em igrejas.
Na Arte Gótica da Baixa Idade Média, as catedrais góticas, em geral, apresentam significativas imagens de labirinto no solo, em tamanho considerável. Nesse período eram chamados de "Caminho de Jerusalém", dando a entender seu valor como forma de peregrinação simbólica à cidade sagrada, então considerada como centro do mundo.
Dentre essas catedrais ressalta-se a de Chartres, na França, considerada como emblemática entre as catedrais góticas, por seus detalhes, seus vitrais, suas dimensões.
Na Idade Média não havia bancos nas igrejas. No período racionalista, ou seja, a partir do século XVII, os bancos começaram a aparecer nas igrejas, de modo que, passaram a cobrir o labirinto de Chartres, que ficou um pouco esquecido.
Nos anos 1990, a Dra. Lauren Artress, psicóloga e teóloga americana, passou a estudar o Labirinto de Chartres, de modo que promoveu uma reprodução dessa imagem na Grace Cathedral de San Francisco e passou a fazer a divulgação da caminhada no Labirinto.